O Sênior Living é mais do que tendência, não é uma onda que vai passar, é uma necessidade urgente de adaptação de um mercado que, hoje, só olha para os jovens que precisam de um bom lugar para morar perto do trabalho, recém casados rumo ao primeiro imóvel ou à família que cresceu por causa da chegada de mais um filho.
O Mercado trilionário da economia prateada ainda é pouco explorado pelas empresas
Até 2030, o Brasil terá a sexta maior população de idosos do mundo — 68,1 milhões de pessoas.
O fenômeno é simples de explicar: estamos tendo menos filhos e vivendo mais.
Mas o que isso tem a ver com o mercado imobiliário?
Tudo.
A chamada “economia prateada”, que reúne produtos e serviços voltados à população 60+, é um mercado próspero, crescente e ainda pouco explorado por empresas, incorporadoras e investidores.
O envelhecer como vetor de transformação urbana
Nos últimos anos, o setor imobiliário começou a olhar para o público sênior com mais atenção. O Sênior Living — modelo de moradia planejado para a terceira idade, com serviços sob medida — é consolidado nos Estados Unidos e na Europa, mas ainda engatinha no Brasil.
Enquanto os antigos asilos se limitavam a adaptar casas, os novos empreendimentos sênior são concebidos desde o projeto para o envelhecer com autonomia, promovendo senso de comunidade, qualidade de vida e dignidade na longevidade.
Estudos mostram que apenas 20% do envelhecimento é definido pela genética; 30% estão ligados ao ambiente e 50% dependem do livre-arbítrio — hábitos, alimentação, sono e relações sociais.
A arquitetura, portanto, tem um papel direto na longevidade saudável e ativa.
Perfis da moradia Sênior
Os modelos variam conforme o grau de independência:
- Vida Independente — voltado a idosos com autonomia, que buscam moradias seguras e socialmente ativas.
- Vida Assistida / Cuidados de Memória — para quem mantém autonomia parcial e requer suporte médico ou terapêutico em parte do tempo.
- Cuidados Integrais — voltado a idosos com alta dependência, com equipes disponíveis 24h.
Esses edifícios são projetados com atenção a cada detalhe: rampas, elevadores para maca, corredores largos, quartos ergonômicos com sensores de presença e botões de emergência, banheiros acessíveis, iluminação segura, sinalização legível e abundância de luz natural.
As áreas comuns são verdadeiros centros de convivência: restaurantes, academias, hortas, piscinas térmicas, salas de leitura, sala de jogos, cinema, spa, espaço pet, áreas de oração, jardins e trilhas de caminhada. Muitos empreendimentos incluem farmácia, padaria e salão de beleza abertos à comunidade, estimulando a socialização e reduzindo a solidão. Além de agencias que promovem passeios e oficinas para entretenimento.
O apoio é feito por equipes multidisciplinares — enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, educadores físicos, psicólogos e especialistas em cuidados paliativos, contratados conforme demanda. Há ainda salas para consulta presencial e telemedicina
A tecnologia também é aliada: pulseiras com sensores detectam quedas, colares com GPS permitem deslocamentos seguros e prontuários eletrônicos organizam rotinas de medicamentos e saúde.
Os valores de aluguel variam conforme o nível de dependência e o pacote de serviços contratados — entre R$ 12 mil e R$ 30 mil por mês.
Com esse conjunto de benefícios pensados para a terceira idade, esses empreendimentos investem em saúde, bem-estar e prevenção, promovendo um envelhecer mais saudável e ativo.
Cases de sucesso
São Pietro Sênior – Porto Alegre (RS)
Inaugurado em 2024, o primeiro empreendimento conta com 6 mil m², 114 suítes de 21 a 61 m². Um segundo projeto, no bairro Moinhos de Vento, terá 143 suítes e será entregue em 2026.
LOMA Pedra Branca by DOM Senior Living – Palhoça (SC)
Com 110 unidades de 35 a 90 m², o valor do pacote (moradia, condomínio e serviços) parte de R$ 11.900.
Vitacon Senior Living – São Paulo (SP)
Primeiro prédio em Higienópolis, com 300 apartamentos de 30 a 60 m², seguido por novos projetos nos bairros Perdizes e Jardins.
Bioos Laguna – Curitiba (PR)
No bairro Alto da Glória, conta com duas torres — Home, com 108 apartamentos entre 42 e 83 m² e o Health, com consultórios médicos.
Na Suécia, empreendimentos de Senior Living chegam a ter extensas listas de espera. Projetos de sucesso na Áustria, Alemanha e Portugal mostram que a arquitetura pode — e deve —impactar positivamente tanto os moradores quanto suas famílias, promovendo saúde, felicidade e pertencimento.
Iniciativas públicas
No Paraná, o Programa Viver Mais Paraná oferece condomínios residenciais populares voltados à população 60+, com aluguéis subsidiados em torno de 15% do salário mínimo, para famílias com renda entre 1 e 6 salários.
Uma política habitacional exemplar, que aponta para a democratização do envelhecer com qualidade.
Um novo olhar sobre o envelhecer
Mais do que uma tendência, o Senior Living é uma necessidade urgente de adaptação do mercado — que ainda olha quase exclusivamente para jovens casais ou famílias em expansão.
Terrenos bem localizados e projetos com serviços robustos têm forte demanda mercadológica. Esse é um nicho em ascensão.
Para quem desenvolve projetos e planeja cidades, fica a provocação:
O que estamos fazendo hoje para criar espaços que acolham o envelhecer com qualidade?
As empresas estão olhando para esse mercado com a seriedade que ele merece?
Na Solos Planejamento Imobiliário, acreditamos que entender a vocação de um terreno é também compreender as novas formas de viver que a cidade demanda.
Você é incorporador ou investidor e quer explorar esse mercado?
Vamos conversar.





